AIDS e suas metáforas, por Susan Sontag




Quando peguei esse livro para olhar, o vendedor disse: "Essa autora é muito boa!" o que me estimulou a comprar. Quando mostrei o livro para o meu pai, ele disse, com animação: "Ah, Susan Sontag!" e então eu pensei: "Será que sou a única pessoa no mundo que não conhece essa autora?"

E, de fato, ela é ótima. O livro é excelente! Precisa ser mais conhecido e mais lido.

A autora começa falando como as doenças adquirem conotações diferentes através das épocas por motivos culturais. A tuberculose, por exemplo, antigamente era considerada uma doença gloriosa de intelectuais, o que não significa que morrer dela era menos terrível. Por outro lado a lepra, que não era muito perigosa e seu risco de contágio era extremamente baixo, ganhou uma má fama.

Câncer e AIDS são duas doenças hoje em dia que causam muito medo, apesar de muito mais gente morrer de doenças cardíacas.

Também achei interessante a reflexão da autora de que a doença é sempre atribuída ao "outro": a doença africana, doença dos homossexuais, dos pobres, dos usuários de drogas, enfim; cada doença adquire um estereótipo de que o "outro" é o pobre, o imoral, que a doença vem de longe, de outra classe, enquanto as classes altas, ou os europeus, americanos, são os mocinhos (mas não mencionam as doenças que eles disseminaram entre os índios).

Esse livro traz reflexões maravilhosas. Gostei muito.



Comentários

  1. Esse finzinho que vc falou é a mais pura verdade, eu lembro também das doenças chamadas de negligenciadas, que por acometerem os mais pobres entre os mais pobres não recebem pesquisas pelas industrias farmaceuticas já que eles só visam lucros, não fazendo jus ao "investimentos", exemplos são malária, a doença de Chagas, a doença do sono (tripanossomíase humana africana, THA), a leishmaniose visceral (LV), a filariose linfática, o dengue e a esquistossomose e a própria tuberculose, muito triste isso.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Realmente, há pouquíssimo interesse em financiar pesquisas de doenças típicas de países tropicais mais pobres. Há mais financiamento para as doenças crônicas que atingem os países ricos (câncer, diabetes, doenças cardiovasculares, etc). Apesar disso, ainda há certo interesse da indústria farmacêutica em pesquisar tratamentos para a AIDS porque, por um lado, já chegou aos países mais ricos, e por outro porque o fato de o tratamento ser longo garante retorno do investimento. Mas no caso de antibióticos que só serão usados por pouca gente e poucas vezes, há menos incentivo ainda para pesquisas.

      Excluir
  2. Ju, se tiver curiosidade sobre o assunto dá uma olhada no site da FioCruz

    ResponderExcluir

Postar um comentário