Kant em 90 minutos, por Paul Strathern




Há uns dez anos comecei a ler meus primeiros livros do Kant e naquela época eu o odiava. Alguns anos depois, quando li mais, passei do ódio ao amor. Então digamos que eu entendo um pouco dos sentimentos do Hegel a respeito dele.

Nunca tinha lido nenhuma biografia sobre o Kant e fiquei surpresa de saber que ele manifestou certo interesse em sexo e amor em algum momento da vida dele (quase casou, em duas ocasiões). Mas talvez o que me deixou ainda mais surpresa foi saber que, mais para o final da vida, ele não era muito feliz. Na maior parte da sua vida sim. Mas creio que com a partida de seu criado ficou cada vez mais solitário. Tinha vida social, mas não amigos íntimos.

O que mais gosto das ideias dele é o argumento moral para a existência de Deus. Li nesse livro que em "Crítica da Razão Pura" não cabia Deus em sua metafísica, mas em "Crítica da Razão Prática" ele reintroduziu Deus, especialmente para aumentar a fé de seu criado.

Não compartilho da ideia de que a metafísica seja desnecessária, como dizem Hume e alguns filósofos contemporâneos que querem reduzir a realidade ao empirismo. Também não sei bem o que querem dizer com empirismo. O amor, por exemplo, é empírico? O amor por duas pessoas é empírico e o amor entre uma pessoa e Deus não o é? Os dois casos exigem certa dose de fé. Eu posso acreditar no amor que outra pessoa sente por mim? Aliás, posso acreditar no próprio amor que sinto pelo outro?

Deus não pode ser experimentado, mas e as experiências místicas? Podem ser traduzidas pela psicologia, mas o amor também. Não se pode reduzir o amor de duas pessoas e reproduzi-lo em experimentos de laboratório. Será que as pessoas existem? Bem, vamos ficar por aqui.




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