A Chave de Salomão, por Lon Milo DuQuette




Adquiri esse livro porque estava muito barato e porque eu gosto do DuQuette. Lembro que no livro "Ask Baba Lon" ele diz que se fosse mais jovem ele provavelmente teria se interessado por magia do caos.

Gostei desse livro, mas após ler tantos livros de cristianismo agora eu tenho uma percepção diferente sobre a Bíblia, então não consigo concordar com todas as questões que o autor coloca. Mas respeito a visão dele.

Afirmar que os profetas da Bíblia muito provavelmente não existiram, que há pouca "verdade histórica" nela e exaltar a ciência em vez disso, o Iluminismo, etc... eu temo que eu simplesmente não possa mais bater palmas para esse ponto de vista.

Em seu novo livro, Lionel Snell diz que embora ele goste muito da teoria da seleção natural, ele respeita o cristianismo por apontar uma das únicas visões de oposição a essa teoria atualmente aceita por um considerável número de pessoas.

Não importa qual seja a teoria, com respaldo científico, religioso, artístico, etc. Manter uma teoria só por muito tempo como a verdade pode nos tornar dogmáticos. Magistas que ficam citando o tempo todo a seleção natural, teoria quântica, etc, como exemplo não estão sendo menos dogmáticos que alguém que cita a Bíblia como fonte de autoridade.

Nós simplesmente veneramos demais a ciência hoje em dia sem nem estudar a história da criação do método científico. E repudiamos a teologia sem nem nos darmos ao trabalho de estudar os métodos utilizados por ela. Só por não ser científico nós repudiamos, pois para nós a ciência é a verdade.
 
E tudo o que não é "histórico" ou "material" é falso na visão materialista e secularista. Então se o nosso método histórico não comprova algo como verdadeiro, ele não existe. Se não tem existência material mensurada por nossos métodos atuais, também não é "real".

Eu fico com um pé atrás quando pessoas consideram que sociedades secretas possuem segredos escondidos e revelam a verdade. Ao mesmo tempo eles dizem que a verdade pode ser encontrada em qualquer lugar, dentro de nós, na natureza, etc. E enquanto dizem isso, afirmam que não pode estar na religião, especialmente as mais populares do "povão" como cristianismo. Bastante ambíguo.

Em poucas palavras, os ocultistas "não gostam de pobre", da maneira de pensar das pessoas simples, iletradas, dos camponeses, acham suas religiões supersticiosas, acham que a maior parte da população do mundo é simplesmente ignorante e não entende suas mentes superiores, pois não fazem parte do clubinho de sua elite intelectual. 

É muito interessante a operação de evocações goéticas, mas achar que os maçons ou os templários lutam contra o inimigo cristão que representa o atraso, a superstição, a ignorância e o preconceito... quem será que está sendo preconceituoso nessa história? É olho por olho, dente por dente?

Não estou afirmando que Lon Millo DuQuette fala quaisquer dessas coisas. Eu admiro muito o autor e achei que ele trouxe reflexões importantes. Ele prefere enxergar as entidades mais pelo paradigma psicológico, mas não excluir outras interpretações, afirmando que elas podem ser ao mesmo tempo "reais e imaginárias".

Eu acho que considerá-las reais e separadas da mente (o paradigma dos espíritos) funciona melhor para mim. Mas dizer que elas são só reais, só imaginárias, ao mesmo tempo reais e imaginárias ou nenhuma das opções, tranquilo. Mas se você vai usar magia medieval, antiga ou o que valha, tente adotar o paradigma que eles tinham (muito provavelmente o paradigma dos espíritos, de que as entidades são reais e não imaginárias).


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