A Mão Invisível, por Adam Smith




Essa é uma seleção extraída da obra "A Riqueza das Nações". No começo o autor fala das vantagens da divisão do trabalho. Se as etapas na fabricação de um alfinete forem divididas entre diferentes trabalhadores será possível produzir muito mais alfinetes em menos tempo do que se somente um homem fizesse todas as etapas do alfinete.

As críticas a esse modelo são conhecidas: haveria uma alienação por parte do trabalhador, que só enxerga a parte e não vê o todo. Isso é percebido atualmente nos especialistas de uma área que perdem a noção generalista. Além do mais, uma nação deve ser rica somente pela riqueza ou para que seus cidadãos sejam felizes? Uma pessoa provavelmente terá mais satisfação caso seu trabalho envolva diferentes etapas que lhe permitam raciocinar de formas variadas e usar diferentes habilidades, como no caso do alfinete.

No entanto, Marx exagera um pouco esse conceito, dizendo em "A Filosofia Alemã" (livro que escreveu com Engels):

“Ninguém tem, na sociedade comunista, uma esfera exclusiva para o exercício de sua atividade, mas cada um pode formar-se no campo de sua escolha. Pode fazer hoje uma coisa, amanhã outra, caçar de manhã, pescar à tarde e fazer crítica depois do jantar, sem que por isso venha a tornar-se caçador, pescador, pastor ou crítico”.

Isso eu já vejo como uma utopia excessivamente otimista que, ao menos no presente estágio em que nos encontramos, não nos parece viável. A divisão do trabalho em diferentes áreas do conhecimento é válida, pois ninguém pode ser muito bom nas diversas áreas do saber. Porém, é preciso que cada um tenha noções das outras áreas.

Falando agora sobre outros conceitos do livro, o autor defende que para se incentivar o trabalho no campo também deve se incentivar o da cidade e que um auxilia o outro. Nisso eu concordo. Porém, o que temos atualmente é muita valorização do trabalho da cidade e pouca valorização da agricultura. Adam Smith critica os "filósofos franceses" (eu citaria Rousseau nesse meio) pela sua excessiva valorização do campo. E eu também citaria Tolstói, Thoreau, enfim, há essa ideia romântica comum no arcadismo de uma idealização irreal da vida no campo.

Mas tratando do aspecto econômico, acho interessante o paralelo de Adam Smith de como uma atividade pode auxiliar a outra. Porém, sua "mão invisível" funcionaria numa sociedade com condições ideais de igualdade, que raramente se verifica na prática. Sendo assim, poderíamos dizer que o conceito da mão invisível funciona numa sociedade ou num mundo um pouco diferente do nosso. Na prática, existe todo tipo de desequilíbrio trazidos por fatores inesperados.



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