Nietzsche, por Paul Strathern




O filósofo dos adolescentes! O filósofo mais pop de todos os tempos!

O autor até faz uma brincadeira com isso, dizendo que o livro Assim Falou Zaratustra é ilegível, a não ser por adolescentes, assim como as obras de Dostoiévski e Hermann Hesse. Esse seria um livro (diz Strathern) que um adolescente poderia clamar: "mudou minha vida!".

Lembro que uma vez li o Notes from Underground do Dostoiévski e realmente tem esse estilo meio revoltado e sarcástico. Na minha resenha da obra descrevi o protagonista como um baita trouxa, mas um trouxa com estilo. Depressivo e lamurioso. 

Já o Hesse também tem seus momentos. O Hermann Hesse é como o Schopenhauer da literatura. Eu gosto da fase mais madura do autor. Por isso curto O Jogo das Contas de Vidro. 

Uns oito anos atrás conheci um seminarista que tinha feito o TCC de filosofia dele sobre Nietzsche. Entendi porque ele fez isso: os ateus gostam de citar Nietzsche e seu "Deus está morto" (que Hegel disse primeiro). Então se você conhece bem seu inimigo possui as armas para combatê-lo.

Vou dizer o que eu gosto no Nietzsche: ele não é pessimista como o Schopenhauer. Ele mistura filosofia e literatura. Não tenta falar difícil. Faz metáforas inteligentes e belas.

O que eu não gosto nele: fala mal de cristianismo, de budismo e de religiões em geral. Às vezes parece que quer ser do contra só por ser e soa meio infantil.

Quando eu era adolescente (lógico) devo ter lido mais de dez livros do Nietzsche. Naquela época eu ainda não conhecia muitos autores de filosofia, ou não teria perdido tanto tempo nele. Mas olhando para trás agora vejo que minhas leituras valeram a pena, pois eu provavelmente não teria a menor paciência de ler esse filósofo hoje em dia. 

Mas se você gosta do cara genuinamente e com boas razões, eu respeito isso. Eu apenas tenho a propensão de não gostar de filósofos que criticam religiões, não importa qual seja.



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